Distribuição urbana do último quilómetro

Torna-se pertinente encontrar novos modelos de logística e distribuição urbana que sejam sustentáveis, potenciem a eficiência e reduzam os efeitos adversos como as emissões poluentes e o ruído.

As cidades apresentam desafios de logística e de distribuição específicas. Devido ao crescimento da população e da actividade económica, aumenta também a procura de bens e serviços, dando origem a uma maior movimentação de mercadorias e à expansão das infra-estruturas de transporte, destinadas a actividades logísticas e também de armazenamento.

As grandes cidades são possivelmente um dos maiores desafios logísticos, onde é preciso conciliar diversos factores em simultâneo, concretamente as necessidades de abastecimento cada vez maiores tanto de particulares como de empresas, contudo, as restrições ambientais e de mobilidade impõem algumas restrições.

O “último quilómetro” é a etapa final do transporte, ou seja, é a entrega directa ao consumidor do produto adquirido, independentemente do canal de venda utilizado.

Os novos modelos de compras, principalmente o denominado eCommerce (comércio electrónico), fez aumentar o fluxo de veículos destinados à distribuição de mercadorias nas grandes cidades. A realização de compras pela Internet começou a ganhar terreno entre os consumidores, que deste modo não necessitam de se deslocar às lojas para adquirirem um determinado produto.

Por outro lado, é possível comprar artigos disponíveis noutros países e esperar que estes sejam entregues em casa num curto espaço de tempo. Todo isto gera dificuldades a nível logístico e tem um impacto elevado nas cidades, além de que o “último quilómetro” é a etapa com maiores custos da cadeia logística. Para tal contribuem diversos factores, como a distância média de viagem por cada pacote e por camião, número de tentativas de entrega da encomenda, e a logística inversa que se refere à devolução do produto.

Desafios logísticos das cidades


Para corresponder ao constante aumento da procura de produtos é cada vez maior o número de veículos comerciais e camiões que circulam no circuito urbano. Tem sido desenvolvido um processo de melhorias da distribuição no espaço citadino, através do planeamento e organização das rotas, em conjunto com rastreabilidade associada à conectividade que vai permitir uma optimização deste serviço. Deste modo é possível reduzir o custo logístico final das entregas.

As emissões poluentes também estão na ordem do dia nas cidades. Na Europa, calcula-se que as mercadorias urbanas (transportadas por veículos diesel) são responsáveis por 25 por cento das emissões de CO2 e também de outros contaminantes derivados do transporte.

A União Europeia tem procurado definir estratégias para diminuir o impacto ambiental do sector do transporte, recorrendo a motores menos poluentes, através da imposição da redução do número de veículos a circular em meio urbano e fomentar a utilização veículos “limpos” como os de propulsão eléctrica ou gás natural veicular (GNV).

A necessidade de melhorar a qualidade do ar e das condições de vida foi um dos principais impulsionadores do surgimento de zonas de baixas emissões nas cidades europeias. Os efeitos negativos do excesso de ruído são uma das razões para que as autoridades do planeamento urbano imponham restrições à distribuição fora do horário laboral e durante a noite.

Por estes motivos a maior parte do transporte de mercadorias concentra-se nas horas de ponta, causando dificuldades no trânsito. Todos os construtores de veículos comerciais estão empenhados em oferecer soluções para as futuras gerações do transporte de mercadorias recorrendo a diversas tecnologias inovadoras (eléctricas, gás natural, hidrogénio) para o último quilómetro da entrega de encomendas.

Novos métodos


Verifica-se uma preocupação crescente por parte dos diversos operadores de entregas de encomendas no sentido de encontrarem métodos eficientes de distribuição e logística na etapa final do processo.

Estão a ser desenvolvidos novos métodos por empresas que garantem, em certas cidades, entregas no mesmo dia. Os clientes esperam opções de entrega que sejam rápidas, económicas e também mais cómodas.

Empesas como a Amazon, DHL, Chronopost ou UPS têm vindo a desenvolver, e a testar em condições reais as entregas com drones (aeronave não tripulada controlada remotamente). Em Portugal, os CTT também já efectuaram testes deste género. Para estas empresas a experiência tem-se revelado positiva e as possibilidades neste domínio podem tornar-se bastante abrangentes. No entanto, existem diversos condicionalismos e dificuldades técnicas que estão a ser ponderadas, como as condições climatéricas adversas, a duração da bateria dos aparelhos, sistemas imprecisos de localização e as limitações legislativas impostas pelos governos.

Outro projecto que coloca em destaque a etapa final da distribuição é a Vision Van que surgiu no âmbito da iniciativa estratégica para o futuro adVANce da Mercedes-Benz que está a evoluir de simples fabricante para se tornar um fornecedor de soluções completas numa cadeia de fornecimento interligada por meio digital no último quilómetro.

A Vision Van possui um compartimento de carga totalmente automatizado, drones integrados para entrega autónoma. Oferece uma propulsão eléctrica de 75 kW com autonomia de até 270 quilómetros.

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