Influência do e-Commerce no transporte de mercadorias

A qualidade da oferta, a maior diversidade e uma maior familiaridade com a tecnologia são alguns dos factores que contribuíram para que o ano de 2017 tenha sido um novo ano de crescimento ao nível do e-commerce – Portugal atingiu os 4,6 milhões de euros em compras online.

O e-commerce está a revolucionar o mercado das entregas – a tecnologia representa uma nova forma das empresas se diferenciarem, evoluírem e aproveitarem novas oportunidades de negócio, num contexto galopante, à escala global.

Alexandre Nilo Fonseca, Presidente da ACEPI (Associação de Economia Digital), salienta que “vivemos um momento crucial de viragem, onde empresas portuguesas têm no comércio electrónico uma excelente oportunidade para endereçarem mais facilmente num mercado de proporções incomparáveis, que poderá alterar de forma decisiva o equilíbrio da balança comercial digital a favor de Portugal”.

Nos dias de hoje, qualquer negócio para ter sucesso deve reger-se sobre a premissa de proporcionar a melhor experiência possível aos seus clientes, que, cada vez mais, revelam uma grande tendência pelo digital e pela mobilidade, no decorrer da sua customer journey (percurso de cliente): pré-compra, compra e pós-compra. Neste contexto, e fortemente impulsionadas pelo e-commerce, as entregas last mile (último quilómetro) - etapa final da viagem do produto antes de chegar ao cliente - constituem um dos desafios mais relevantes quer para os retalhistas, quer para os seus parceiros de logística. O futuro das entregas está a redesenhar-se continuamente, de dia para dia. E a melhor forma de garantir o sucesso das novas soluções passa pela inspiração nas melhores práticas do mercado e pelo foco numa resposta eficaz às necessidades dos compradores online.

Desafios do E-commerce no sector da Logística e do Transporte

As empresas têm de estar preparadas, contemplando no seu modelo de negócio o online, as redes sociais, os dispositivos móveis e as lojas físicas, que se assumem cada vez mais como showrooms. É quase obrigatório para as empresas conhecerem profundamente o cliente, anteciparem as suas necessidades e preferências e impulsionarem as melhores recomendações, utilizando sistemas de previsão rigorosos e abrangentes, retirando partido dos benefícios oferecidos pelas bases de dados.

O e-commerce exige uma distribuição das encomendas mais dinâmica e mais flexível

Alberto Pimenta, Director de e-commerce dos CTT Correios Portugal, revela o constante trabalho por parte dos CTT para superarem com sucesso os desafios diários do e-commerce. “Os modelos e as soluções de distribuição têm de ser redesenhadas continuamente, sempre com o foco nas necessidades de conveniência, informação, velocidade, opções de pontos de entrega, janelas de tempo, etc., requeridas pelo comprador online, o e-buyer – é isso que fazemos nos CTT. Se por um lado, as entregas mais rápidas, com data e hora preditiva no segmento B2C (business to consumer), exigem veículos de transportes mais ligeiros, com distribuidores dotados de dispositivos de comunicações eletrónicas (e.g., PDAs, smartphones), por outro lado, a opção de entrega nas lojas dos retalhistas e num contexto omnichannel (omnicanal), aponta a necessidade do reforçar a frota com veículos mais pesados que permitam serviços de transporte de carga paletizada”.

Também a transportadora Chronospost, reconhece que é crucial uma adaptação diária para acompanhar as particularidades que pautam a era digital. “A logística de uma loja online envolve a integração de informação (sistemas), transportes, stock, armazenamento, embalagem e expedição do produto. O principal objectivo do operador de logística é facilitar a entrega do produto, desde o ponto de aquisição até ao consumidor final. Só desta forma é possível disponibilizar os produtos e serviços no local onde são necessários e no momento desejado. A Chronopost acompanha o crescimento dos nossos clientes e adapta-se às suas necessidades. A verdade é que o mercado das encomendas está a aumentar exponencialmente em termos de número de expedições e, por isso, temos reforçado gradualmente a nossa frota com o número de viaturas que nos permitem operar um serviço de excelência”, revela Olivier Establet, Presidente da Chronopost Portugal.

A Omnicanalidade é o novo segredo nas vendas

Vender cada vez mais e aumentar as receitas é o objectivo de qualquer empresa ou entidade comercial. No entanto, actualmente, mais do que vender muito, surge a necessidade de vender bem e de proporcionar uma experiência de qualidade ao cliente, independentemente de este escolher fazer as suas compras pela internet, numa loja física, ou através de um distribuidor.

Tirar partido de um conceito multiplataforma para chegar mais fácil, rápido e eficazmente ao cliente pode ser a chave para uma boa estratégia comercial. Hoje em dia, o cliente relaciona-se com o produto de formas distintas, não isoladamente, mas sim como um todo. Na era da omnicanalidade, em que o consumidor é agora, mais do que nunca, o centro de toda a comunicação, a verdade é que o processo de compra deixou de ser um modelo linear no caminho para a compra. Na era do digital cada consumidor procura que a sua experiência seja homogénea e não algo totalmente desconexo pelo simples facto de andar a saltar de um canal para o outro. Este é o grande desafio que as empresas devem ter em conta, de modo a reajustarem o seu modelo de negócio, consolidando experiências consistentes entre os diversos canais.

Segundo André Pereira, Country Manager Portugal da Paack, esta empresa – de entregas de e-commerce em 2 horas - nasceu precisamente para tirar partido das sinergias criadas pela omnicanalidade e entra no mercado para permitir a esta classe de retalhistas um escalonamento das suas vendas online por meio da fidelização de clientes atraídos por opções de entrega muito competitivas.

O Country Manager da Paack revela ainda que “o segredo está no software, que se integra com as plataformas de e-commerce das marcas de retalho e oferece ao consumidor, no momento do pagamento da encomenda, a opção de receber os produtos em menos de duas horas ou no horário mais conveniente, no próprio dia ou no dia seguinte: quem decide é o consumidor. Concluída a compra, as encomendas são atribuídas aos “Paackers” - transportadoras profissionais devidamente licenciadas para o transporte de mercadorias. Em termos operacionais, o objectivo é tirar partido da capilaridade de lojas e/ou distribuição de stock dos nossos clientes ao longo do país para a execução das entregas.” As entregas last-mile (último quilómetro), são completamente revolucionadas pelo facto de permitirem ao comprador pagar a sua encomenda e recebê-la no espaço de 2 horas, dando uma vantagem incrível aos clientes perante os seus concorrentes.

O propósito da Paack é “trazer um novo paradigma logístico para o e-commerce em Portugal, para que o retalho nacional se possa afirmar perante gigantes internacionais, como a Amazon e a Alibaba. Começa a haver a consciência de que ter stock nacional e/ou local junto a centros urbanos com elevada densidade demográfica é a chave para entregas mais rápidas e flexíveis. Como se sabe, as opções de entrega disponíveis numa webstore influenciam a decisão de compra do consumidor online pelo que o que a Paack permite é que os retalhistas omnicanal aumentem consideravelmente as suas vendas online e modernizem a imagem da sua marca ao melhorar a experiência do consumidor online –que é cada vez mais exigente.

O processo apresenta uma taxa de eficiência de entregas de “98%”, em grande medida porque o consumidor final acompanha a entrega em tempo real através de geolocalização do Paacker, o que permite antecipar ao segundo a chegada da sua encomenda a casa ou ao escritório,” elucida André Pereira, comprovando que no negócio das entregas “time matters” (o tempo conta).

As exigências do consumidor online

O comportamento dos ebuyers (compradores online) já existentes no mercado vai no sentido de comprarem mais vezes, mas gastando cada vez menos em cada compra, o que se reflecte num valor médio de compra mais reduzido. De referir ainda que mais de metade dos compradores online portugueses, já compram mais do que uma vez por mês. Os três principais motivos que levam à compra online são: os preços mais baixos, a maior diversidade e a conveniência acrescida oferecidos por esta modalidade de compra.

Os ebuyers apresentam um maior envolvimento com a pesquisa decorrente sobretudo da navegação web que fazem regularmente. Assim, a tomada de decisão de comprar online é mais permeável às promoções e às campanhas de portes oferecidas pelos esellers (vendedores online), mantendo-se o site da marca como primeiro local de realização da pesquisa. Por outro lado, a esmagadora maioria dos ebuyers possui presença nas redes sociais, destacando- se o Instagram e o Pinterest pelo crescimento que apresentam face ao ano anterior (+18,9% e +10,8% respectivamente). De relevar ainda que cerca de 93% dos ebuyers possuem smartphone.

O e-commerce e a distribuição urbana

A generalização do e-commerce tende a exigir que as formas de distribuição em contexto urbano sejam ainda mais dinâmicas e flexíveis – no mesmo dia e num período máximo de uma ou duas horas. Para isso, segundo o Country Manager da empresa Paack, os armazéns serão colocados cada vez mais perto de centros urbanos e haverá um crescente uso de robótica em detrimento de trabalhadores humanos - aparecimento de veículos autónomos em entregas last mile, como os drones (usados maioritariamente para entregas em meios rurais) e “pick up points” (pontos de recolha) móveis nas zonas de maior densidade demográfica.

Actualmente, a Chronopost Portugal, tem uma frota de 400 viaturas a operar a nível nacional, tendo sempre presente uma política de desenvolvimento sustentável. Olivier Establet, Presidente da Chronopost Portugal, revela que a transportadora está preparada para a evolução do e-commerce, não descurando a preocupação com o meio ambiente. “Estamos preocupados com o ambiente e, por essa razão, adoptámos uma série de medidas que visam, num futuro próximo, a redução da pegada de carbono. No caso específico da frota, todos os nossos condutores passam por uma formação sobre Eco-condução e cerca de 90% da nossa frota já tem tecnologia Euro 6. Estamos ainda a ultimar a aquisição de viaturas elétricas – Zero Emissões – ainda este ano”.

OUTROS ARTIGOS Ver mais